quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Brevemente, numa garrafa perto de si...


"Que projectos está a desenvolver neste momento?
O xarope de groselha e o capilé engarrafados. Quando decidimos que queríamos recuperar a groselha e o capilé, fizemos uma busca no mercado e descobrimos que aquilo que existe não tem um único ingrediente natural. São produtos feitos basicamente de corantes e aromas. Resolvemos pesquisar as receitas antigas e demo-las ao Daniel Roldão, dos rebuçados de ovo de Portalegre, e ele desenvolveu-nos os xaropes. Produzimos os xaropes com a marca Quiosques de Refresco. (...)

Por onde expandir mais?
Comecei o projecto dos Quiosques de Refresco com o João Regal e estou interessada em expandir... Se calhar, vamos aumentar o número de quiosques, mas só nos interessam os antigos. Fizemos este projecto para provar que era possível aqueles quiosques continuarem a existir e a servir o público e, sobretudo, a existir na cidade. São tão charmosos, tão bonitos e dão uma graça tão grande a Lisboa."

Excertos de uma entrevista de Catarina Portas conduzida por Mónica Franco para a revista Sábado e publicada no suplemento "100 Anos, 100 Marcas" de 21 de Outubro 2010.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Menu das sopas


São estas as sopas da semana: hoje há Feijão Verde. Quarta há Feijão Branco com Presunto. Quinta há Courgette e sexta Cogumelos. Deliciem-se!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Praça das Flores






Começamos pelo quiosque da Praça das Flores e apresentamos os autores por ordem alfabética, sem qualquer tipo de favoritismo... A partir de cima, as entradas de Ana Maria Parrulas, Ana Rita Santos Ferreira, Cláudia Oliveira Adro e Claudio Patane, com dois desenhos.

Desenhadores de quiosques



Já era altura de começarmos a mostrar os restantes trabalhos dos concorrentes ao "Desenha-me um Quiosque", que tanto dificultaram a tarefa ao júri da competição. Uma tarefa que intuímos logo que não ia ser fácil. Desde que recebemos os primeiros telefonemas entusiásticos com perguntas em relação ao regulamento. Mal vimos os primeiros traços, vibrantes de talento, na tarde em que lançámos o concurso. Logo que começámos a receber os vossos desenhos. Cerca de 300 entradas, de profissionais a atrevidos ou curiosos, de todas as idades.

O Quiosque de Refresco agradece muito especialmente aos Urban Sketchers, que ajudaram a dar alma e visibilidade ao concurso. Bem como à Delta Cafés e à Viarco, que contribuiram com os prémios. Agradece e parabeniza todos e cada um dos participantes. Por olharem para os nossos quiosques com uma frescura e um encanto que transparecem em traços e cores. Que tornam tão óbvio o facto de que este concurso tem que continuar, por mais anos. Por isso, até para o ano. E obrigado.

Fotografias de Ricardo Santeodoro.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Príncipe nocturno


Animação de rua, feiras do livro, música jazz, tocadores de tambor e largada de balões. Performances de ópera, sapateado e magia. Exposições no Museu de História Natural, visitas guiadas no Museu da Água e actividades especiais para o público infantil. Por estes dias, ou melhor, por estas noites, o Príncipe Real está imparável.

E os horários das lojas (são sempre mais as que se associam à inicitativa, da Rua D Pedro V à Rua da Escola Politécnica e perpendiculares) esticam até às 23h00 hoje e amanhã. Tudo em nome da chamada "dinamização do comércio local".

Pela nossa parte, o quiosque do Príncipe Real continua a matar a sede e a fome até às 24h00, como todos os dias. Para desfrutar dos encantos nocturnos do príncipe dos quiosques.


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A estação das sopas


A descida das temperaturas também tem destas coisas boas: a sopa está de volta aos Quiosques de Refresco. Hoje há Creme de Abóbora, amanhã de Ervilhas, quarta de Cogumelos, quinta Grão com Espinafres e sexta Alho Francês. Bom apetite!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A origem dos quiosques


"Diana Moreira viajou no tempo e fez como os avós: renegou a internet e entregou-se à pesquisa à moda antiga. Mergulhou de cabeça no Gabinete de Estudos Olissiponenses e descobriu a história dos quiosques. Em livros, pois claro.

Se lhe dissermos que rabiosque pode ter qualquer coisa a ver com quiosque, acredita? Não? Então leia com atenção: segundo Baltazar Caeiro, na sua obra Quiosques de Lisboa, o termo "quiosque" vem do francês "kiosque" que, por sua vez, derivou do persa "koushk" e do turco "kiouhk" que, para além de "pavilhão de jardim", significa... nádega. Está a ver a ligação?

Baltazar Caeiro refere que poderá estar relacionado com a forma como as pessoas se posicionavam em torno dos quiosques, de traseiros mais ou menos empinados, aglomerados em alegre socialização. O certo é que desde 1620 que os franceses os cultivam. Primeiro como coretos, para música, ou pequenos pavilhões de jardim, e só depois,, em 1865, com a explosão da Arte Nova, como forma de decoração das ruas, pequenas boutiques onde era possível comprar flores, tabaco, jornais e refrescos. Uns vaidosões, os franceses. A moda pegou e alastrou-se pela Europa. Portugal não ficou de fora e em 1869 as pequenas construções de estilo oriental, embelezadas pelo ferro torcido da Arte Nova, invadiram o país.

Primeiro no Rossio - o quiosque Elegante, apelidado de "Bóia" pelos operários e artesãos, como se fosse uma espécie de salvação contra a rotina do trabalho. Mais tarde seria rebaptizado pelo povo como o "quiosque dos libertários", por ser ponto de encontro dos progressistas do início do século XX. Seguiu-se o Passeio Público, na Avenida da Liberdade, a zona ribeirinha, com quiosques dedicados aos trabalhadores portuários, com torresmos e afins, e finalmente nos jardins e outros pontos centrais de Lisboa antiga.

A população fervilhava em torno dos "kioskos": antes ou depois do trabalho, para descontrair, e aos fins-de-semana, em passeio com a família. Bebia-se chocolate quente e vinho a copo, gasosas, capilé, misturas de anis, caramelo e água, e cerveja de botija. Até que, em 1900, alguns quiosques começaram a vender sorvetes. Aí foi a verdadeira loucura. No terreiro do Paço havia até alguns que forneciam peixe frito e azeitonas aos mais destemidos.

Os quiosques, segundo Claude Bony, em Uma História dos Quiosques, funcionavam como uma versão mais pequena e barata do café, taberna e leitaria, mais próxima do cliente e acessível a todos os bolsos. E se no início eram os operários e pequena burguesia que os frequentavam, rapidamente os artistas, elite e intelectual e, claro, os estudantes, tomaram conta dos quiosques para beber copos e partilhar ideias.

O primeiro pedido de instalação de um quiosque em Lisboa data de 1867 e foi feito à Câmara pelo artista e escritos D. Thomaz de Mello. A licença só sairia um ano depois, com a proposta da Câmara de se instalar quiosques pela cidade, como "forma de embelezamento e coisa útil".

Mas a maravilha dos quiosques vai mais além. Foi graças a um deles que nasceu a primeira esplanada em Lisboa, na Travessa da Glória. Estava dado o mote para uma das melhores actividades sociais. Daí a nada a mania de pôr mesas em frente aos cafés espalhou-se e rapidamente todos podiam aproveitar o ar livre, de copo na mão ou prato cheio.
Hoje, e depois de muitos anos de abandono, os quiosques voltaram a embelezar e alimentar as zonas centrais de Lisboa, graças ao plano de recuperação de jardins e espaços verdes da Câmara de Lisboa. E nós agradecemos. É que esplanadas, petiscos e bebidas nunca são de mais."

Time Out, 6 de Outubro 2010