quarta-feira, 7 de abril de 2010

Imagens de Quiosques


E era assim que há um ano, mais coisa menos coisa, Catarina Portas apresentava este projecto que é o nosso, dos quiosques, ao programa Imagens de Marca. Como é engraçado olhar para trás, ao fim de um ano a matar a sede dos lisboetas...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Foi há um ano


O Quiosque de Refresco prepara-se para comemorar o primeiro aniversário. Parece mesmo que foi ontem. Mas era Abril e corria o ano da graça de 2009, quando reabrimos os quiosques do Príncipe Real, da Praça das Flores e vimos um terceiro aterrar no Camões, qual objecto identificado mas também muito desejado. Foi quase um ano a recuperar uma tradição lisboeta; de espaço, tempo e sabor.

Os Quiosques de Refresco regressaram à cidade, ocupando antigos quiosques, escrupulosamente recuperados, no Largo Camões, no Jardim do Príncipe Real e na Praça das Flores. Com o encanto de outrora, oferecendo uma selecção das especialidades e marcas portuguesas mais irresístiveis e um serviço adaptado à vida contemporânea. Seja servido.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Chocolate com história



Foi Manuel Bastos quem concebeu esta ideia gulosa: a de criar uma fábrica de confeitaria no coração do Porto. Que haveria de se tornar uma referência da cidade e um ponto de encontro da alta sociedade da época. Desde 1933 e agora nas mãos da terceira geração da família, a Arcádia continua a deliciar portuenses (e não só) com os seus chocolates, amêndoas e drageias artesanais, feitos com base em receitas antigas.


Em 2008, para comemorar os 75 anos da casa, a Arcádia lançou um produto “diferente e arrojado”, em forma de tablete. O chocolate com recheio de biscoito que se encontra no Quiosque de Refresco. Que, como todos os outros chocolates da marca são preparados com os melhores ingredientes, abdicando de corantes e conservantes. E que é uma especialidade de lamber os beiços, crocante e sedosa. Como a Páscoa deve ser.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Refreshing changes



"There is a new buzz about some of Lisbon's best-loved squares, as customers cluster around jaunty kiosks serving refreshments. These structures - like others as yet unrestored ones around town - were originally an early-20th-century French import. Over the years they came to serve as cafés, newsagents or even lottery sales points, but many fell into disuse while others became shabbier and shabbier. Last year, as part of the "Quiosque de refresco" project, the council issued licenses to operate three renovated kiosks to a well-known former journalist, Catarina Portas, and a partner. These spruced-up kiosks serve (...) traditional refrescos (refreshments) such as capilé (a lemon and chicory drink), homemade lemonade and groselha (made from redcurrant syrup). Flavoured milk and sandwiches of cheese and quince jelly are among other old-style treats on sale. The kiosks are open daily from 7.30am to midnight - an hour later at weekends."


"Everything here has a traditional flavour, including savoury snacks such as pork crakling, bacalhau (salt cod) with mashed chickpeas and sardine paste with roasted peppers."

terça-feira, 30 de março de 2010

Alfacinhas

O Sebastião e a Sebastiôa eram um casal de ricaços, donos de um palacete à Junqueira. Ele fora padeiro no Brasil e ela camareira mas saiu-lhes a sorte grande e tornaram a Lisboa onde, pela tarde, vinham exibir o seu magnífico trem na Avenida. Talvez fosse a Mulata a penteá-la, que era cabeleireira da rainha D. Maria Pia e também gorda, caricata e muita dada a paixões, gastando com os conquistadores os fartos lucros. Quanto à Dama Vermelha vestia-se sempre dessa cor quando distribuía prospectos pelas ruas. Fora companheira de um antigo terrorista que em tempos deitou uma bomba de dinamite na Rua do Carmo e depois andou fugido por Marrocos. Menos sorte teve a Irmã Coleta, filha de oleiros, que foi apanhada no Convento das Trinas de Mocambo por ter envenenado uma educanda chamada Sara de Matos. Sete anos tinha o Rei da Madureza quando caiu de um terceiro andar e ficou meio tarado. Depois foi cauteleiro, engraxador, criado de barbeiro, toureiro na praça de Algés e acabou em sineiro da Igreja dos Mártires. Preso 39 vezes por embriaguez e ofensas à moral, um dia sairam-lhe 100.000 reis na lotaria mas gastou tudo em vinho e foram dar com ele morto num cubículo no Convento das Bernardas, com outro idiota a quem chamava irmão. Irmãos mesmo e quase cegos eram os Bichos de Seda que em tempos tocavam um flauta e outro piano num café da rua da Madalena mas agora vendiam sinas no Chiado. Filhos de uma velha capelista, cairam na miséria depois da morte da mãe, roubados por fregueses sem escrúpulos.


A Amélia Chinesa começou como criada da Ana Varina mas tão boa era ao serviço que acabou por tomar de trespasse à patroa as muitas casas de toleradas que tinha na Rua da Atalaia. Já a Antónia Moreno era espanhola, mundana de grande fama que acabou por montar casa suspeita de conterrâneas que importava, na Rua da Misericórdia, até comprou o prédio e faleceu em 1899, de febre tifóide. A Maria Inês praticava o mesmo ofício na baixa esfera, na sua casa perto do Chafariz do Rato havia negras e realizavam-se batuques. Quanto à Teresa do Pino, da Tv. do Poço da Cidade, conseguiu notoriedade pela forma esquisita como conquistava os seus admiradores, tendo sobre o leito um trapézio onde executava nua alguns trabalhos de ginástica. A Luisinha Cocotte era afinal um tipo rico de uma família da Lapa e Rainha das Rosas era o que chamavam ao Fernando. Sorte teve a Josefa Arranjada que foi bom alfaiate na Casa Africana e depois se fez cartomante e ganhou fortuna. E a República, fiquem a saber, era afinal uma meretriz que, em 1911, tomou parte num carro alegórico no cortejo cívico das festas do novo regime.


É um despautério passear pela cidade que alberga esta multidão de gente esgrouviada. Sabemos quem foram porque alguém deixou registado, em mais de mil folhinhas de um bloco, esta compilação de personagens lisboetas. O Grupo dos Amigos de Lisboa encontrou esta papelada nos seus arquivos e decidiu um dia publicar este “Dicionário das Alcunhas Alfacinhas”. Só nunca saberemos o nome do seu autor, para sempre anónimo.


Crónica de Catarina Portas, Público, 18 de Outubro 2008.
E o desafio para aproveitar os últimos dias de exposição sobre as histórias das personagens de Lisboa. Até amanhã no Museu da Cidade.

Retratos


O Quiosque de Refresco quer agradecer aos alunos do curso profissional do Instituto Português de Fotografia que nos brindaram com deliciosas imagens dos quiosques. E ao professor Telmo Miller pela amabilidade com que conduziu todo o processo. Prometemos partilhar aqui esses instântaneos do nosso dia-a-dia. E começamos com duas contribuições de Luís Barreira. No Camões.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Um destino europeu que é o nosso



Lisboa acaba de ser eleita "Melhor Destino Europeu 2010" pela Associação dos Consumidores Europeus. Por ser uma "cidade que soube preservar toda a sua alma e oferecer uma porta de entrada ao turismo, sem esquecer as suas riquezas sociais e culturais". E nós até nem precisamos de viajar para usufruir dela; basta sair à rua! O quiosque ergue o seu copo de refresco para brindar a tão acertada escolha...

Mais detalhes aqui.