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quinta-feira, 12 de maio de 2011

Oportunidades


"A crise está cheia de oportunidades, (...) o país esta cheio de oportunidades". A destoar de um discurso derrotista tão em voga, ontem no debate da Rádio Renascença "Portugal, que futuro?" falou-se daquilo que podemos fazer, cidadãos comuns, pela positiva. Por exemplo, ser mais exigentes com os nossos líderes e comprar produtos portugueses como forma de equilibrar o défice. Surgiram até dois exemplos concretos, de como se pode prosperar em situações de "infortúnio": a perna partida de Matisse e a invenção do Monopólio. Para ver e ouvir aqui.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Portugal – Que futuro?

"Catarina Portas, Pedro Lomba, Jacinto Lucas Pires e Joana Vasconcelos vão reflectir sobre o futuro do país hoje, às 19h00, no Auditório da Renascença, em Lisboa. É o quinto e último debate do ciclo "Portugal – Que futuro?", iniciativa que se insere nas comemorações do 75º aniversário da Renascença. O debate vai ser moderado por Raquel Abecasis, é aberto à participação de todos e pode ser acompanhado em directo em http://rr.sapo.pt."

Da universidade para o quiosque


Para Catarina Portas, assumir que o ensino universitário é o único caminho "é um erro". Catarina Portas começa por dizer que não tem um curso, mas a verdade é que tem muitos. Pode nunca ter frequentado uma licenciatura mas, desde os 16 anos, altura em que deixou a escola para trabalhar como aprendiz num atelier de chapelaria, não parou de aprender.

"Tudo o que fiz na vida é-me útil hoje em dia", explica a empresária. "Trabalhei na área da moda, que é muito importante para aquilo que hoje faço com os produtos" à venda na loja A Vida Portuguesa", exemplifica. Quer fosse a fazer chapéus para a Christian Dior ou a trabalhar como jornalista para a revista "Marie Claire", a moda foi uma etapa. Mais uma, numa vida ainda preenchida pelo jornalismo de imprensa, rádio e televisão, pelos documentários e pelo empreendedorismo.

Pelo meio, Catarina Portas, uma "autodidacta" assumida, foi fazendo as formações que lhe pareciam "interessantes para enveredar por outros caminhos".
"Uma das razões porque os meus negócios têm sucesso é porque sou muito livre a pensar", considera a empresária. Uma liberdade que, mais uma vez, pôs em prática quando se dedicou à loja "A vida portuguesa", que já tinha quando combinou com João Regal, sócio-gerente do DeliDelux, que fariam um curso de gestão que fosse compatível com os seus horários. Escolheram a Universidade Nova de Lisboa e "foi durante o curso que propus ao João a ideia dos quiosques", revela Catarina Portas.

A empresária critica a ideia de que "o único caminho é o universitário" e diz que pensar assim "é um erro". Aliás, está a trabalhar num projecto, para apresentar no orçamento participativo de Lisboa, de aprendizado na Baixa de ofícios tradicionais como joalharia e modista. Tudo porque "é das coisas mais dignas e maravilhosas uma pessoa fazer coisas com as mãos". O que Catarina Portas valoriza, quando contrata um recém licenciado, é a possibilidade de crescimento da pessoa. "Interessa-me também perceber se é empreendedora e tento muito que as pessoas fiquem". Andrea Duarte, Diário Económico, 3 de Maio 2011.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Contra a crise, trabalho e doce


"Os tempos difíceis não assustam Daniel Roldão. Em 2005, o engenheiro zootécnico de 37 anos criou a Sabores de Santa Clara para colocar nas prateleiras das lojas gourmet o rebuçado de ovo de Portalegre, um doce tradicional alentejano cuja receita se mantinha escondida nas cozinhas familiares da região. (...)
Para além dos rebuçados de ovo de Portalegre e dos Eggos, a pequena empresa alentejana também produz dois xaropes (de capilé e groselha) em parceria com a Quiosques do Refresco, empresa de Catarina Portas e João Regal. Emprega directa e indirectamente cerca de 20 pessoas e até ao final do Verão quer lançar quatro novos produtos. No total, tem 15 em fase de testes.
"Sim estamos a viver uma crise, mas a nossa postura não pode passar apenas por esta constatação. Nestes tempos surgem novas oportunidades e isso traduz-se em mais criatividade", defende Daniel Roldão. E acrescenta: "A nossa perspectiva é de imenso trabalho".
Com o mercado doméstico a sofrer uma grave contracção económica, o objectivo é chegar a outros destinos. Estamos a namorar o mercado internacional", revela, referindo-se em concreto aos Eggos.

Produtos adequado ao gosto. No total dos produtos comercializados pela Sabores de Santa Clara o peso das exportações "não é expressivo", mas há negociações em curso para reforçar presença além fronteiras. "O Xarope de Capilé, por exemplo, tem um gosto árabe. Os russos gostam muito de doces, tal como os brasileiros. Estamos a explorar esse leque de possibilidades, adequando sempre o produto ao paladar do consumidor", diz o responsável da companhia. (...)

Agora, a prioridade de Daniel Roldão é conseguir produzir com matérias-primas nacionais, mas nem sempre é fácil encontrar ingredientes e fornecedores em Portugal. O empresário alentejano defende que é preciso "criar a necessidade" e exemplifica: "Não havia groselha disponível e nós decidimos plantar 1,5 hectares para poder colher daqui a um ano e meio. Vamos ter Xarope de Groselha, com a fruta amadurecida com o nosso sol."

Jornal "Público" 17 de Abril 2011, secção de Economia. Texto de Ana Rute Silva. Fotografias de Rui Gaudêncio.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Dois anos na imprensa nacional

Na imprensa portuguesa, os Quiosques de Refresco também fizeram correr tinta ao longo destes dois anos. A Visão descreveu o projecto como “um verdadeiro incentivo à locomoção e ao convívio social ao ar livre”, o Público notou que “a comida segue a mesma lógica de fidelidade aos sabores lisboetas” , o DN gabou serem “tudo produtos portugueses, tudo sabores tradicionais”. A Time Out de Lisboa proclamou a nossa “a melhor limonada do mundo”. E nós ficámos deliciados com a crónica "Ainda ontem" de Miguel Esteves Cardoso no Público (a 29 de Abril de 2009):
 "Mais Catarina já! Assim como há raivas atravessadas na garganta, à espera de serem cuspidas cá para fora com um amargo que envenena com o tempo, também há louvores que, de tanto nos adoçarem o coração, nos vamos recusando a soltar, guardando-os só para nós.

Comigo é assim com a Catarina Portas. Gosto dela há mais de 20 anos e admiro tudo o que ela faz e não faz. À portuguesa, digo-o a toda a gente menos a ela. Chega. Ontem, no P2, maravilhei-me a ler o artigo sobre os três quiosques da Catarina em Lisboa, escritos e descritos por Alexandra Prado Coelho, ainda por cima. São difíceis de escrever estes elogios. Parecemos bolinhas de amor à espera de serem injectadas por uma chuva de setas ácidas que sibilam “Mas o que é que nós temos a ver com isso?” No caso da Catarina, muito. Mesmo que visite Lisboa de vez em quando, o trabalho dela melhora instantaneamente a qualidade estética e sensual do nosso dia-a-dia.

Como é cosmopolita, sabe escolher e readaptar, sempre para melhor, os pedaços mais aprazíveis e civilizados da vida portuguesa. É esse o nome da loja dela e assenta-lhe bem, com toda a inteligência, elegância e imaginação da autora e dona. Como é de esquerda, consegue livrar-se do elitismo e da nostalgia que costumam contaminar estas recuperações. Os refrescos e as sanduíches são exclusivos e deliciosos, mas, crucialmente, também são baratas e acessíveis a todos.
Suspiro. Pela primeira vez tenho pena de não viver em Lisboa outra vez."

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Dois anos na imprensa internacional


Nestes dois anos a matar a sede dos lisboetas (ou de quem quer que nos visite), os Quiosques de Refresco também não passaram despercebidos à imprensa internacional. Com menções em guias de viagem ou revistas de viagens, da Lonely Planet Magazine à Monocle inglesa ou ao Globe & Mail canadiano. E ao nosso escritório chegaram solicitações de jornalistas do Brasil à Austrália.

Por exemplo, Bárbara Guimarães levou a revista francesa Femmes (para o número de Outubro 2009) a bebericar uma limonada ao Quiosque das Flores enquanto lhes mostrava os encantos de Lisboa. "au coeur de la Praça das Flores, dans un kiosque violet réhabilité avec talent par Catarina Portas, on savoure une limonade à l'ancienne. Bárbara souligne: "il ne faut pas hésiter à aller à la rencontre de ce que la ville de contrastes que vous percevez encore mieux si vous circulez à pied."
E o jornalista Rupert Eden transportou os seus leitores do Globe and Mail canadiano (era Janeiro de 2010) ao outro quiosque um pouco mais acima. "In Príncipe Real, sweet cinnamon-scented bouillon is served at a 1950s kiosk. (...) Here in Príncipe Real, life is full of surprises; lately the raggedy, once-aristocratic neighborhood has been getting an injection of youth and culture."

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Xaropes no Programa das Festas

Os Xaropes de Refresco brilham lado a lado com os Rebuçado de Ovo no "Programa das Festas" da RTP1 inteiramente dedicado a Portalegre, sua história e iguarias. O Daniel Roldão, responsável pela Sabores Santa Clara, fala sobre estes xaropes que reflectem "toda a alma portuguesa" (ao minuto 29:50).

quarta-feira, 16 de março de 2011

Viagem por Lisboa


Já lhe chamaram o "estúdio mais pequeno do mundo". Depois de Berlim, Roma, Paris e Londres, o SmartStudio chegou a Lisboa e pôs a Sancha Trindade ao volante. Para descobrir os encantos da cidade de sete colinas, quiosque do Camões incluído.
"Ângela Marques pediu-lhe boleia. E foi ver quanta cidade se pode filmar a partir de um nano-carro. (...) Sancha Trindade, autora do blogue Lisboa na Ponta dos Dedos, diz que quando foi convidada pela Smart não hesitou. "Eu já escrevo sobre a cidade, portanto achei que era uma óptima ideia. (...)
Para mim é um orgulho imenso partilhar a cidade. Acho que Lisboa tem qualidades únicas e muita coisa para fazer." (...) e escolheu os sítios onde se sente melhor: a Luvaria Ulisses, A Vida Portuguesa, a Temporary Store, o Quiosque de Refresco do Camões (de passagem, apenas) e o Pavilhão Chinês.(...) É verdade que sempre nos ensinaram a não apanhar boleia de estranhos. mas o pior que estes lhe podem fazer não é filmá-lo. E matá-lo? Só se for a rir."

quarta-feira, 9 de março de 2011

"Olha o refresco!"


"Com a revitalização dos quiosques lisboetas através da marca Quiosque de Refresco, de Catarina Portas, os xaropes de groselha e capilé estão na moda. E agora à venda nos próprios quiosques, lojas A Vida Portuguesa e lojas gourmet um pouco por todo o país.
Produzidos pela Sabores de Santa Clara, os xaropes de groselha e capilé Quiosque de Refresco, sem corantes nem conservantes, são preparados com ingredientes naturais: bagas de groselha, o primeiro, e frondes de avenca e água de flor de laranjeira, o segundo. Saúde em xarope para saborear como bebida ou em calda, servida em gelados ou crepes. Os rótulos das garrafas foram desenhados por Ricardo Mealha com ilustrações de Lapin. PVP: 10,90 (capilé) e 14,90 (groselha)." Teresa Violante, revista Gingko Fevereiro/Março 2011. "Novidades com estilo e substância."

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

In praise of street food


"I believe eating out on the street is a way of making big cities more friendly and humane. I love street food, whether it’s grilled sardines in Alfama’s streets, tapas in the bars of Madrid, or a slice of pizza eaten over the tall tables on top of wine barrels at Forno Roscioli in Rome. So it’s no surprise that I’ve also started a kiosk business in Lisbon (by the way, the empadas – savoury pastry nibbles – are delicious!)."

"We have just launched brand new products to the Portuguese market: Portugal’s old redcurrant and capilé drinks cordials in bottled versions that are made entirely from natural ingredients. We serve them at our Quiosques de Refresco – refreshment kiosks – in three of Lisbon’s historic squares, bringing the city’s traditional drinks back."

Read the whole interview here.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Um trabalho de laboratório 100% natural

"Quando Catarina Portas e João Regal (DeliDelux) inauguraram a marca Quiosque de Refresco, em Abril de 2009, comprometeram-se a recuperar hábitos antigos. Nada mais fiel então do que servir duas clássicas bebidas da infância dos portugueses: groselha e capilé (a primeira bem mais popular, verdade seja dita).
Mas procurar essas garrafas tradicionais foi o mesmo que descobrir um conjunto de compostos artificiais e frases do tipo "bebida não aconselhável a crianças". E por isso, nessa mesma altura, desafiaram Daniel Roldão (responsável pela recuperação dos rebuçados de ovo de Portalegre) a criar cada uma das bebidas em formato 100% natural. Então o que há de novo na história? É que agora elas podem ser compradas em garrafa, com um design apelativo e com um rótulo que ainda tem mais leitura do que um pacote de cereais.
Mas as coisas boas estão só a começar. Se o leitor bem se lembra, é suposto diluir uma pequena porção do concentrado em água. "Uma garrafa dá para 25 copos. Há aqui uma poupança ecológica", diz Catarina Portas. Entre os primeiros copos servidos nos Quiosques e os xaropes originais, fizeram-se várias provas. "O sabor já não é exactamente o mesmo. Foi sendo melhorado, sempre com base nas receitas e livros de culinária antigos", explica a dona das lojas A Vida Portuguesa, onde também se vendem as bebidas.
Daniel Roldão, responsável pela produção dos xaropes confessa que "não foi fácil chegar à receita final. Já é mais um trabalho de laboratório do que de cozinha. Na groselha, por exemplo, era essencial manter a qualidade dos bagos."
E na hora de produção das duas bebidas é a groselha que leva o prémio de mais demorada, logo é a mais cara (14,90€). "Os bagos são apanhados à mão e a bebida é feita sem corantes. É difícil chegar à cor final que tem", diz Catarina Portas. No Capilé, feito de frondos de avenca e água natural de flor de laranjeira, 0 processo é mais simples. É por isso que a garrafa sai mais em conta (10,90€). Já em laboratório estão a ser preparados dois novos xaropes: o de sabugueiro e o de limão. Que devem chegar por altura da Primavera.
Garrafas à venda nos Quiosques do Refresco do Camões, Praça das Flores e Príncipe Real, na loja A Vida Portuguesa e na DeliDelux."
Mariana Correia de Barros, Time Out 19 a 25 Janeiro 2011.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Refrescos caseiros

A Time Out desta semana traz "O Guia Completo para Ser Feliz em Casa". Só faltaram mesmo os Xaropes de Refresco. Capilé ou groselha: uma alternativa caseira para quem não pode passar pelos quiosques...


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Groselha ou Capilé?

A receita do xarope de capilé vinha já no Cozinheiro Moderno, em 1780: frondes de avenca (ou a folhagem da planta capilária) e um toque de água de flor de laranjeira. E, no entanto, há muito tempo que ninguém o fazia a sério, com os ingredientes naturais (sem corantes artificiais nem conservantes) e seguindo as antigas receitas.

Catarina Portas (que a revista Wallpaper acaba de escolher como exemplo da geração do futuro) e João Regal recuperaram o capilé (e outros sabores caídos em desuso, como a orchata ou o leite perfumado) quando abriram os seus Quiosques de Refresco. Agora associaram-se à fábrica de Portalegre Sabores de Santa Clara (que faz os Rebuçados de Ovo) para lançar em garrafa os Xaropes de Groselha e Capilé. Os rótulos são da autoria do designer gráfico Ricardo Mealha a partir dos desenhos de Lapin, ilustrador francês a viver em Barcelona.

Na fábrica de Portalegre trabalha-se as bagas frescas da groselha (separadas à mão e cozidas num caldeirão) e as frondes de avenca para fazer os xaropes que devem depois ser misturados com água para se transformarem em refresco - cada garrafa de 700 ml permite preparar 25 copos de refresco, diluindo uma porção de xarope em oito de água. Ambos devem ser bebidos frescos, aconselhando-se a que o capilé seja servido com gelo e uma casca de limão. E a promessa é que esta é apenas "a dupla inaugural de outros sabores que se hão-de seguir".

Os Xaropes de Groselha (14,90 euros) e Capilé (10,90 euros) vendem-se nos Quiosques de Refresco do Largo de Camões, Príncipe Real e Praça das Flores, nas lojas A Vida Portuguesa de Lisboa e do Porto, no Delidelux em Lisboa e em diversas lojas gourmet.
Alexandra Prado Coelho, revista Pública, 2 de Janeiro 2011.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Quiosques nas notícias


A revista "Wallpaper", referência mundial em design, moda e arte, dedicou o número de Janeiro aos talentos globais do futuro. E elegeu Catarina Portas como um deles.
Há mais ou menos um ano Catarina Portas era eleita pela revista Monocle como um dos 20 heróis globais que, segundo a revista, merecia um palco maior.

Agora a Wallpaper acrescentou umas tábuas ao palco já grande onde a empresária tem brilhado. Importa dizer que a Wallpaper não é uma revista qualquer. E uma referência mundial em design, moda e arte e não elogia por elogiar. No número de Janeiro de 2011 decidiu olhar para as grandes tendências e talentos do futuro. E chamar empreendedora a Catarina Portas.

Depois a revista conta a história que já conhecemos: um dia a empresária que já foi jornalista e a quem gostamos de chamar bicho carpinteiro (porque, com o devido respeito, não consegue estar quieta muito tempo) deu conta de que muitos produtos locais ainda eram vendidos nas embalagens e formatos originais, datados de 1920 a 1960. Daí a abrir a loja A Vida Portuguesa foi um salto.

Nos últimos tempos, coisa que a Wallpaper também sabe, tem-se dedicado a recuperar e abrir quiosques na cidade. "Pequenos cafés que servem pastelaria e bebidas tradicionais, como leite perfumado e que funcionam em quiosques que são imagem de marca de Lisboa", diz a revista.

E o que é que Catarina Portas diz? Que esta referência tem uma certa ironia. "Quando comecei este projecto foi um bocadinho contra o espírito Wallpaper. Nessa altura eles davam a entender que para se ser interessante era preciso ser muito moderno." Mas hoje faz as pazes com a revista. E declara: "Isto é que foi um Bom Natal." Ângela Marques

Legenda: A prova do crime Catarina Portas foi fotografada à frente do seu quiosque do Príncipe Real para a "Wallpaper". Time Out, 29 Dezembro 2010

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

"Lisbon’s landmark turn-of-the-century kiosks"


A Wallpaper espalha a imagem dos quiosques pelo mundo. E conta Catarina Portas entre a onda de novos talentos globais. "The future's shaping up. Here's the how, why and the who's who of the bright young things making shapes.

Catarina Portas, Retail Entrepreneur, Portugal.
Portas started her career making hats with a local milliner, before becoming a journalist focusing on fashion and retail stories. While researching a book about life in Portugal in the 20th century she noticed that many local Lisbon products were still sold in their original packaging dating from the 1920s to the 1960s. Portas snapped up the retro stock and now sells it to style-conscious visitors and nostalgic locals in her first retail outlet, A Vida Portuguesa, in Lisbon’s fashionable Chiado district. The shop stocks a range of items, from soaps and chocolates to notebooks and ceramics,arranged in boxes by theme, and each accompanied by a tiny booklet explaining the products’ origins. Portas has recently opened a new flagship store in Porto, and is now concentrating on the opening of a series of small cafés serving traditional pastries and drinks, such as perfumed milk, in some of Lisbon’s landmark turn-of-the-century kiosks (pictured)."

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Fuga para o café



"Cafés de Lisboa e Porto. A cultura dos cafés conhece hoje uma segunda vida na capital portuguesa. Já não são o sítio em que tudo se decide, como antigamente, mas lugares da memória e atracção turísticas. Luís Maio apresenta um peddy paper que gira em torno de uma Lisboa ainda tangível e ao mesmo tempo tão distante. No Porto, podem também já não ser locais de grandes tertúlias intelectuais e políticas, mas continuam a fazer parte do imaginário de uma cidade onde ir ao café, mais do que um hábito, continua a ser um culto. Por isso, uma associação de guias regionais dedica-lhes um roteiro especial — aos cafés históricos do Porto, onde Andreia Marques Pereira viu o presente e as sombras do passado." Fugas, sumplemento do jornal Público, 20 de Novembro 2010.
"(...) Quiosque de Refresco, na Praça Luís de Camões. Este é um dos três quiosques inaugurados há coisa de ano e meio, em praças do centro da cidade (os outros ficam no Príncipe real e na Praça das Flores), que propõe bebidas frescas, incluindo capilés e limonadas, segundo receitas antigas e praticamente desaparecidas dos hábitos de consumo locais. O Quiosque de Refresco é, aliás, um excelente pretexto para longas conversas (de café, de preferência) sobre o comércio tradicional na Baixa de Lisboa."

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A origem dos quiosques


"Diana Moreira viajou no tempo e fez como os avós: renegou a internet e entregou-se à pesquisa à moda antiga. Mergulhou de cabeça no Gabinete de Estudos Olissiponenses e descobriu a história dos quiosques. Em livros, pois claro.

Se lhe dissermos que rabiosque pode ter qualquer coisa a ver com quiosque, acredita? Não? Então leia com atenção: segundo Baltazar Caeiro, na sua obra Quiosques de Lisboa, o termo "quiosque" vem do francês "kiosque" que, por sua vez, derivou do persa "koushk" e do turco "kiouhk" que, para além de "pavilhão de jardim", significa... nádega. Está a ver a ligação?

Baltazar Caeiro refere que poderá estar relacionado com a forma como as pessoas se posicionavam em torno dos quiosques, de traseiros mais ou menos empinados, aglomerados em alegre socialização. O certo é que desde 1620 que os franceses os cultivam. Primeiro como coretos, para música, ou pequenos pavilhões de jardim, e só depois,, em 1865, com a explosão da Arte Nova, como forma de decoração das ruas, pequenas boutiques onde era possível comprar flores, tabaco, jornais e refrescos. Uns vaidosões, os franceses. A moda pegou e alastrou-se pela Europa. Portugal não ficou de fora e em 1869 as pequenas construções de estilo oriental, embelezadas pelo ferro torcido da Arte Nova, invadiram o país.

Primeiro no Rossio - o quiosque Elegante, apelidado de "Bóia" pelos operários e artesãos, como se fosse uma espécie de salvação contra a rotina do trabalho. Mais tarde seria rebaptizado pelo povo como o "quiosque dos libertários", por ser ponto de encontro dos progressistas do início do século XX. Seguiu-se o Passeio Público, na Avenida da Liberdade, a zona ribeirinha, com quiosques dedicados aos trabalhadores portuários, com torresmos e afins, e finalmente nos jardins e outros pontos centrais de Lisboa antiga.

A população fervilhava em torno dos "kioskos": antes ou depois do trabalho, para descontrair, e aos fins-de-semana, em passeio com a família. Bebia-se chocolate quente e vinho a copo, gasosas, capilé, misturas de anis, caramelo e água, e cerveja de botija. Até que, em 1900, alguns quiosques começaram a vender sorvetes. Aí foi a verdadeira loucura. No terreiro do Paço havia até alguns que forneciam peixe frito e azeitonas aos mais destemidos.

Os quiosques, segundo Claude Bony, em Uma História dos Quiosques, funcionavam como uma versão mais pequena e barata do café, taberna e leitaria, mais próxima do cliente e acessível a todos os bolsos. E se no início eram os operários e pequena burguesia que os frequentavam, rapidamente os artistas, elite e intelectual e, claro, os estudantes, tomaram conta dos quiosques para beber copos e partilhar ideias.

O primeiro pedido de instalação de um quiosque em Lisboa data de 1867 e foi feito à Câmara pelo artista e escritos D. Thomaz de Mello. A licença só sairia um ano depois, com a proposta da Câmara de se instalar quiosques pela cidade, como "forma de embelezamento e coisa útil".

Mas a maravilha dos quiosques vai mais além. Foi graças a um deles que nasceu a primeira esplanada em Lisboa, na Travessa da Glória. Estava dado o mote para uma das melhores actividades sociais. Daí a nada a mania de pôr mesas em frente aos cafés espalhou-se e rapidamente todos podiam aproveitar o ar livre, de copo na mão ou prato cheio.
Hoje, e depois de muitos anos de abandono, os quiosques voltaram a embelezar e alimentar as zonas centrais de Lisboa, graças ao plano de recuperação de jardins e espaços verdes da Câmara de Lisboa. E nós agradecemos. É que esplanadas, petiscos e bebidas nunca são de mais."

Time Out, 6 de Outubro 2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

"Amamos Quiosques"


A Time Out dedica o último número aos quiosques de Lisboa, numa declaração de amor a uma "das referências que melhor distingue a nossa cidade. (...) Os novos quiosques lisboetas souberam reinventar-se da cabeça aos pés. Nos últimos anos, muito mais rápido do que é normal - primeiro pela mão de Catarina Portas e os seus... Quiosques de Refresco - estes quiosques castiços, iguais a tantos outros, apresentaram-se à cidade de cara lavada. Com melhor aspecto, melhores serviços e, sobretudo, com muito melhor gosto. Essa mudança, que combina tendências contemporâneas e ideias revivalistas, é daqueles fenómenos que nos deve obrigar a parar, pensar e elogiar."


"A moda é quioscar, uma palavra acabada de inventar por Diana Moreira e que a partir de agora passará a andar na boca dos lisboetas. Vamos quioscar? (...) Entre meias de bacalhau e capilé. Não há quiosque em Lisboa que se pareça com o Quiosque do refresco. A ideia, de Catarina Portas e João Regal, é recuperar o passado português, em forma de limonada, leite perfumado, orchata, ginginha, mazagran ou capilé. Mas atenção, não há cerveja. Mas há a melhor limonada do mundo (provavelmente) e sandes de fazer crescer água na boca, como a de tapenade (pasta de azeitona) e queijo de cabra, meia desfeita de bacalhau, à antiga, queijo flamengo com marmelada ou de pasta de sardinha. E é tudo caseiro, feito com produtos frescos. Típico mas gourmet. Se a esplanada do Camões estiver cheia, pode sempre ir até ao Príncipe Real ou à Praça das Flores. Há mais dois Quiosques de Refresco para descobrir."


‎"Era um português, um francês e um espanhol, mas em vez de entrarem num bar foram para a Praça Luís de Camões desenhar um quiosque. O resultado é este (...) A ideia, de Catarina Portas e João Regal, em parceria com os Urban Sketchers, foi pôr toda a gente a fazer desenhos. Através do facebook e de aguns cartazes estrategicamente espalhados, apelarem ao artista dentro de cada um e lançaram um desafio: desenhar um dos três Quiosques de Refresco. O prémio seria 1000 euros por quiosque e a edição do desenho em postal. Foi assim que no 1º de Maio o Camões foi invadido por artistas verdadeiros e outros improvisados, de olhos postos no quiosque e de lápis em punho. Foi muito divertido aparecerem pessoas de todas as idades, até miúdos de oito anos, conta Catarina Portas. (...) Os felizes contemplados, um português, um francês e um espanhol - nunca é de mais repetir este início de anedota típica portuguesa - são homens experientes no que toca às artes.(...) A ideia é fazer isto todos os anos, no aniversário dos quiosques. Não só porque é muito divertido ter o Camões cheio de desenhadores, mas porque é uma forma diferente de ver a cidade, através do desenho em vez de fotografias ou filmagens. Vê? Para o ano pode ser o feliz contemplado. pelo sim, pelo não, vá trinando esse traço." Diana Moreira, Time Out 6 de Outubro 2010.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Quer V. Ex.ª um copo de Orchata?


Bebidas que já não se viam há muito tempo - orchata, mas também capilé ou leite perfumado - voltam às ruas de Lisboa em três quiosques antigos restaurados. "Gosto de pegar numa coisa semiesquecida e perceber como se pode adaptar aos tempos de hoje", explica Catarina Portas, responsável, com João Regal, pelo projecto. Só foi preciso cortar - e muito - o açúcar nas bebidas. Parece que os nossos bisavós gostavam delas mesmo muito doces.

Estava um dia de calor e Alípio "apenas avistou na porta o ventre enorme do desembargador", precipitou-se para lhe tirar o chapéu das mãos, perguntar-lhe pelas senhoras e oferecer-lhe um copo de orchata, bebida que o dr. Vaz Correia tinha sempre fresca, "na saleta de dentro" nos meses de Verão. "Quer V. Ex.ª um copo de orchata?". E o desembargador: "- Pois venha de lá a orchata. Vai de refresco."

Mas o mundo das personagens de Eça de Queirós e do seu Conde de Abranhos já não existe e, com eles, a orchata parecia também ter desaparecido para sempre dos hábitos dos portugueses. Agora, cem anos depois, a bebida fria à base de leite de amêndoa voltou pela mão de Catarina Portas, a proprietária da loja A Vida Portuguesa, e do arquitecto João Regal, da mercearia gourmet DeliDelux, que a colocaram à venda nos três quiosques que recuperaram e estão a explorar no Largo de Camões, Praça das Flores e Jardim do Príncipe Real, em Lisboa.

Quando desafiou João para concorrerem juntos ao concurso lançado pela câmara municipal para a recuperação e exploração dos quiosques, Catarina sabia que tinham que ter uma ideia original. "Sempre gostei de quiosques e fazia-me impressão passar por eles e vê-los fechados sem nada a acontecer. Gosto de fazer este exercício de pegar numa coisa semiesquecida e perceber como é que se pode adaptar aos tempos de hoje de uma forma interessante, preservando as características originais de preferência", conta Catarina, num banco do jardim do Príncipe Real, ao lado de um dos novos/velhos quiosques.

Enjoadíssimos
Ao pesquisar no Arquivo Fotográfico Municipal e em livros antigos sobre a origem dos quiosques, Catarina percebeu que muitos deles vendiam refrescos. "Achei que era engraçado recuperá-los para a função que tinham na sua origem." Refrescos, portanto. Nova pesquisa, desta vez para tentar descobrir que tipo de bebidas eram apreciadas pelos lisboetas do final do século XIX. Encontrou várias referências, sobretudo em textos do crítico gastronómico José Quitério e, juntamente com o sócio, lançou-se na fase seguinte: testar os refrescos.

"O primeiro dia foi dramático. Ao final da tarde estávamos enjoadíssimos e pensávamos que aquilo não ia resultar. As bebidas tinham uma quantidade de açúcar inacreditável. Há 100 anos havia açúcar numa quantidade muito menor de produtos, mas mais concentrado". Assim não funcionava, pensaram.

Mas Catarina acreditava que a ideia inicial era boa. "Achei que de alguma forma isto já tinha dado a volta. As pessoas bebiam estes refrescos há 100 anos, depois puseram-se a beber refrigerantes, perceberam que estes tinham uma enorme colecção de 'Es' e agora estão a voltar a coisas com menos corantes, conservantes e aromatizantes." A solução tinha que ser reduzir a quantidade de açúcar.

Para além da orchata, queriam recuperar bebidas como a groselha, o capilé ou o leite perfumado. "Percebemos que os xaropes de groselha e capilé existentes em Portugal são muito desinteressantes porque são todos à base de aroma artificial." Decidiram que precisavam de ajuda e que a pessoa certa era Daniel Roldão, que, com a sua Fábrica do Rebuçado, fez renascer os rebuçados de ovo de Portalegre. E Roldão meteu mãos à obra para desenvolver novos xaropes, o de capilé a partir de folha de avenca e essência de flor de laranjeira, e o de groselha com groselhas holandesas para já (a partir de Julho já será possível usar as portuguesas), com muito menos açúcar do que as receitas centenárias.

Agora nos pequenos quiosques restaurados, e depois de um esforço considerável para conseguir aproveitar o diminuto espaço de arrumação, estão disponíveis as novas receitas de capilé, groselha, orchata, chá gelado, limonada chic (uma receita que junta ao sumo casca batida, para que aquele fique mais cremoso e menos amargo), mazagrã (bebida de café) e leite perfumado (leite fervido com canela, limão e açúcar e servido gelado). A cerveja não é permitida nos quiosques, mas há bebidas alcoólicas como a ginjinha, o Licor Beirão, a Amêndoa Amarga ou o vinho do Porto. No Inverno haverá vinho quente e outras bebidas para atrair os clientes ao quiosque mesmo com frio e chuva.

Sanduíches de torresmos
A comida segue a mesma lógica de fidelidade aos "sabores lisboetas": há sanduíches de bacalhau em meia desfeita, pasta de sardinha com pimentos assados, queijo de cabra e pasta de azeitona, presunto com azeite de amêndoa, torresmos com geleia de pimentas e queijo flamengo com marmelada. E, por fim, há doces tradicionais, das queijadas de Sintra aos queques de Tomar, passando pelos chocolates Arcádia, e até pelos "velhinhos" rebuçados do Dr. Bayard e as sombrinhas de chocolate Regina.

Não havia certamente sanduíches tão sofisticadas nos quiosques do século XIX. Mas estes eram importantíssimos pontos de encontro para os lisboetas. "O quiosque é o sucedâneo do café, da taberna, da leitaria, da papelaria; a loja em miniatura, próxima dos clientes, acessível, económica e altamente futurista. Acessível a todas as bolsas é sobretudo escolhida pelos operários, pela arraia miúda e pela pequena burguesia comerciante. Os estudantes e a elite intelectual também não desdenham este poiso para beber um copo, comprar o jornal ou um bilhete de lotaria e dar um dedo de conversa com os vizinhos", explica Claudie Bony em Uma História de Quiosques (ed. artemágica, 2004), um dos livros a que Catarina Portas recorreu na sua pesquisa.

É em Novembro de 1867 que surge nas Actas das Deliberações da Assembleia Municipal de Lisboa aquele que Bony identificou como o primeiro texto explícito sobre quiosques, no qual se propõe que "se officie ao governo de Sua Majestade, dizendo que a camara approva a collocação dos 'kioskos' propostos pelo sr. Dom Thomaz de Mello, como uma cousa útil, e, até certo ponto, como um meio de embellesamento".

Inspirados nos modelos parisienses, começam então a aparecer em Lisboa vários quiosques, uns para refrescos e comidas, outros para venda de jornais e colocação de anúncios. Ainda segundo Bony, no final do século XIX existiam já na capital 22 quiosques. Mas o pioneiro terá sido o que foi colocado no Rossio em 1869. Tinha sido baptizado como Elegante, "mas os operários e pequenos artesãos alcunharam-no de Bóia" e mais tarde ficou conhecido como o quiosque dos "libertários" por se ter tornado o ponto de encontro dos progressistas.

Nas velhas fotografias do arquivo municipal vêem-se homens de chapéu de coco à volta de um dos quiosques de refrescos do Largo de Camões (Catarina descobriu num alfarrabista um postal de 1905 que mostra o largo com nada menos do que cinco quiosques). Um pano às riscas, como o das barracas de praia, oferece uma zona abrigada do calor, e uma mulher de lenço a cobrir-lhe a cabeça está sentada nessa sombra. Outra imagem mostra um quiosque particularmente elegante, no jardim de São Pedro de Alcântara, com uma aba larga que dá sombra a uma pequena esplanada. (Também Catarina e João querem em breve ter esplanadas nos seus quiosques e esperam apenas a autorização da câmara).

Os cisnes da Estrela

Ao longo do tempo muitos foram desaparecendo, outros continuaram a ser utilizados, mas foram-se degradando. Um dos que deverão ir a concurso para serem reabilitados, e que Catarina considera dos mais bonitos, é o que está na praça em frente ao Jardim da Estrela, com os elegantíssimos cisnes a sustentar o telhado, mantendo uma dignidade intemporal, apesar do estado de degradação em que se encontra. Houve também quiosques que mudaram de sítio - é o caso do recém-inaugurado no Largo de Camões, que veio do Jardim das Amoreiras, e antes disso esteve no Porto de Lisboa e na Rua da Artilharia Um, prova de que a vontade de sobrevivência tem sido superior ao desgaste provocado pela passagem do tempo.

Agora, pelo menos os três Quiosque de Refresco (Catarina e João registaram esta marca e outra, Refresco de Quiosque, para o caso de virem a comercializar as bebidas fora dos quiosques) vão trabalhar a sério. Com 22 funcionários, a ideia é que estejam abertos todos os dias das 7h30 da manhã à meia-noite (o do Camões só fecha à uma da manhã), encerrando apenas três dias por ano. "São estabelecimentos democráticos, estão no meio da rua, são para toda a gente", diz Catarina. "Não faz sentido que estejam fechados, tal como não faz sentido que tenham preços elitistas" - um café aqui custa 60 cêntimos, e uma limonada, por exemplo, custa 1,20 euros.

A ligar os três está uma pequena carrinha que será identificada com a imagem de todo o projecto - os nomes das bebidas em faixas ondulantes, uma ideia para a qual o designer Ricardo Mealha se inspirou numa colecção de rótulos da antiga Fábrica Âncora - e que transportará várias vezes ao dia as bebidas e as sanduíches feitas na cozinha central da Rua do Poço dos Negros.

E assim, ao passarem pelo Camões, pelo Príncipe Real ou pela Praça das Flores, os lisboetas já podem recuar no tempo e, quem sabe, voltar a citar o desembargador Amado, a responder ao solícito Alípio: "Pois venha de lá a orchata. Vai de refresco".

Texto: Alexandra Prado Coelho.
in Jornal Público, 28 de Abril de 2009.



quinta-feira, 29 de abril de 2010

Fazer notícia


Há um ano atrás, os jornalistas da Visão, da Time Out e do Público não quiseram faltar à chamada e presenciaram a chegada do Quiosque de Refresco ao Camões. "À primeira vista é um simples quiosque. E à segunda ou à terceita também. A diferença está no que vai vender. Refrescos. Sim, nem mais. Limonadas, capilés, groselhas, mazagran ou sandes de bacalhau", segundo as palavras de Sara Rodrigues da Visão. "O leitor já não se deve lembrar, mas há cem anos havia cinco quiosques no Largo Camões" atirava a Time Out. "Durante anos animaram a praça, mas foram fechando até não restar nenhum. E até à última segunda-feira o largo era um deserto. Era, leu bem: acabou-se a secura. Agora há um quiosque de refrescos no Camões."

E Sara Rodrigues esmiuçava... "Os Quiosques de Refresco são uma ideia desenvolvida por Catarina Portas e João Regal que está quase a sair do papel depois de terem ganho em hasta pública, o concurso (refira-se que um dos concorrentes era sueco) para a exploração de três quiosques: Praça das Flores, Praça do Príncipe Real e Praça Luís de Camões em Lisboa. Se os dois primeiros já estavam nos devidos locais, o último, depois de ter estado estacionado no Porto de Lisboa, na Rua Artilharia 1 e, nos últimos 15 anos, no Jardim das Amoreiras, foi recuperado e assentado, na passada segunda-feira, 9, no Camões."

Catarina Portas explicou ao Público que "já tinha esta ideia há algum tempo. Para a concretizar estudei aquilo que os quiosques tinham sido e como se poderiam adaptar aos dias de hoje. (...) João Regal disse que o quiosque estava muito envelhecido. Aproveitámos elementos do original, como a cúpula, mas a base teve de ser refeita." "No trabalho de restauro foi substituída a parte inferior, que estava em tijolo, e descobriu-se que a cúpula é feita em tabuinha como as cúpulas do Campo Pequeno (Praça de Touros)", adiantou Catarina à Visão.

Pode acompanhar a viagem do quiosque até ao Camões no álbum de fotografias do Facebook.